segunda-feira, 11 de junho de 2012

PRINCIPAIS DOENÇAS DOS BOVINOS


Principais Doenças de Bovinos 
       
Brucelose Bovina

A brucelose é uma doença infecto-contagiosa, de evolução crônica , que acomete principalmente os sistemas reprodutivo e ósteo-articular de bovinos, suínos, ovinos, caprinos, cães, eqüinos e homem. Possui ampla distribuição mundial, sendo endêmica no Brasil.A doença provoca graves perdas produção animal,diminuição na produção de leite e  na produção de carne, sem contar com a perda de bezerros ocasionada por abortamentos. Além disso, a sua presença torna o País vulnerável a barreiras sanitárias internacionais.

Etiologia  -O agente é uma bactéria intracelular facultativa do gênero Brucella. São cocos-bacilos gram negativos, sem cápsula, imóveis e não esporulados. Esse gênero possui várias espécies, reunidas em dois grupos antigenicamente distintos:

Brucelas lisas ou clássicas: 
v  B. abortus - bovinos                                                                       
v  B. suis - suínos
v  B. melitensis - caprinos
v  B. maris - golfinhos e focas

Brucelas rugosas:
v  B. ovis - ovinos
v  B. canis – cães
v  B. neotomae - roedores
v   
O agente pode resistir até 4 dias na urina de bovinos, 75 dias no feto abortado em período frio e 120 dias em locais úmidos, escuros e pH neutro. Entretanto, é sensível a desinfetantes comuns (álcool, produtos clorados, formol e compostos fenólicos), raios solares, fervura e pasteurização.

Epidemiologia

Fonte de infecção - Hospedeiros vertebrados que albergam as brucelas e as eliminam no ambiente: animais doentes ou portadores sãos. As diferentes espécies, apesar de ter predileção por determinada espécie, podem acometer diversas outras espécies. Os gatos porém, são resistentes à brucela.

Sintomas:
ü  O período de incubação é extremamente variável podendo durar de semanas a cerca de 7 meses.
ü  Infertilidade em fêmeas: decorrência de metrite, retenção de placenta.
ü  Infertilidade em machos: orquite e processos inflamatórios na vesícula seminal e ampolas.
ü  Abortamento no terço final da gestação em bovinos: inflamação necrótica na junção entre carúncula e cotilédone.
ü  Abortamento precoce em suínos: aumento na taxa de repetição de cio ou maior número de fetos mumificados ou mesmo deteriorados indicando morte fetal precoce.
ü  Lesões articulares (em suínos, eqüinos e homem)
ü  Lesões cutâneas (no homem e suínos)
ü  Processo inflamatório de ligamentos (bursite): mal da cernelha ou mal da cruz (em eqüinos e bovinos de tração)
                                 
                                              Carbúnculo sintomático

O carbúnculo é uma doença contagiosa que ataca todos os médios e grandes animais, inclusive o homem e, geralmente é mortal. Entretanto os eqüideos são menos atingidos que os ruminantes. É produzida pelo Bacillus anthracis e, este micróbio encontra-se, principalmente, onde já ocorreu a doença, pois seus esporos permanecem no solo por vários anos. Geralmente estes esporos provêm de animais carbunculosos enterrados no campo, sem o devido cuidado e trazidos à superfície pelas minhocas. As fezes e sangue dos animais que estiverem na pastagem são infectados.
É uma doença comum de animais mantidos em regime de pasto, porém, pode surgir em estábulos por feno contaminado adquirido em áreas onde ela ocorre. O carbúnculo pode aparecer em qualquer lugar, porém, em certas regiões existem focos onde ele se manigesta com freqüencia. Em terrenos pantanosos e em áreas com muita matéria orgânica em decomposição, os esporos podem viver por tempo prolongado, durante anos. Os bacilos, porém, são pouco resistentes ao calor e à dessecação. Infelizmente o esporo é o elemento responsável pela maioria das infecções.


SINTOMAS - Nos eqüideos, a enfermidade em geral apresenta forma relativamente benigna, com os seguintes sintomas: cólicas fortes; edema do peito, pescoço e da região faringeana. Também podem ocorrer: depressão, febre alta, dispnéia, edemas subcultâneos no tórax e no pescoço, cólicas, faringite, hemorragia nasal e manqueira. A morte, quando ocorre, as vezes é tão rápida que não se percebem os sintomas nos animais a campo. Nos casos fulminantes, a morte pode ocorrer em 24 e 48 horas e, nesses casos, observam-se os edemas (tumefações), diarréia sangüinolentas, cor de chocolate, e os animais se deitam com convulsões e dificuldade respiratória. Os cadáveres incham rapidamente e então observam hemorragias pelas aberturas naturais. O sangue é escuro e de difícil coagulação. Só estes sinais identificam a doença.
Os animais são contaminados através dos intestinos; água; escoriações; picaduras de insetos infectados e inalação do agente infeccioso. Os urubus podem transportar a doença a grandes distâncias. O homem pode ser infectado durante uma necropsia ou manipulação de couros, chifres, lá e cadáveres de animais vitimados pela infermidade. A necrópsia é perigoso, sendo preferível, em caso de se pretender um diagnóstico de laboratório, enviar um esfregaço de sangue ou um osso de canela, muito bem protegido. O cadáver deve ser incinerado ou enterrado no mesmo local, aplicando na sepultura uma boa quantidade de cal.
PROFILAXIA - Emprego da vacinação. No entanto, a escolha do produto deve ser feita por um médico veterinário pois depende da região e situação que se apresenta. Em toda propriedade onde tenha ocorrido casos de carbúnculo, ou mesmo na vizinhança, os animais devem ser vacinados no mês de agosto, pois geralmente o carbúnculo aparece em outubro. A imunização requer 20 a 30 dias.


                                                          Mastite ou Mamite


Quais os sintomas da mamite?
Quando observada a olho nu (caso da mamite aguda ou clínica), o úbere torna-se inchado, de cor avermelhada, dolorido e quente; o leite apresenta-se aguado ou grosso, de cor amarelada, com flocos ou coágulos; à medida que a vaca diminui a produção de leite, diminui o apetite e perde peso.
Quando não apresenta esses sintomas (caso da mamite subclínica), somente pode ser detectada através de exames de laboratório ou testes executados ao pé da vaca.

Como a mamite é provocada?
Embora seja uma doença de origem essencialmente microbiana, o meio ambiente e a própria vaca podem colaborar para o seu aparecimento.
Poucos são os tipos de germes que podem causar infecção das mamas. Outros germes somente invadem o úbere, quando este sofre lesões variadas (chifradas, pancadas) ou então penetram diretamente no úbere, levados pelos cânulos mamários ou alargadores de tetas.
A ordenha mal feita, seja manual ou mecânica, e a falta de higiene podem causar a doença.
A própria vaca, sob alguns aspectos, pode influir no aparecimento da mamite, tais como: alta produção de leite, número de lactações, idade (quanto mais velha, maior predisposição para o aparecimento da doença).
Quais os danos causados pela mamite?
Pode ser considerada a doença mais comum da pecuária leiteira, e é aquela que atinge a parte mais importante da vaca - o ÚBERE.
Os danos que a doença provoca são traduzidos nos seguintes prejuízos:

1. Diminuição da produção de leite;
2. Perda de um ou mais quartos do úbere;
3. Acidez do leite, quase sempre rejeitado pelos laticínios;
4. Desvalorização comercial da vaca leiteira, que passa a ser animal de corte;
5. Pode causar a morte do animal, por infecção irreversível.
Como se deduz, a mamite deve ser considerada muito mais uma doença de caráter econômico.
Como diagnosticar a existência da mamite?
Em se tratando de mamite, o provérbio "mais vale prevenir do que remediar" deve ser aplicado, pois, uma vez instalada, é de difícil cura, e quando curada, a produção de leite nunca será como antes. Além de tudo, o tratamento é caro. O diagnóstico precoce (mamite clínica) é feito através do teste da caneca telada ou caneca de fundo preto, que deve ser feito diariamente, antes de cada ordenha. Para se diagnosticar a chamada mamite subclínica, que não é visual, existe o C.M.T. (teste 
californiano).

                                                             Raiva Bovina

Nos bovinos, a raiva assume sobretudo a forma paralítica, sendo extremamente rara ou acidental a contaminação direta do homem. Extensas epizootias de raiva bovina e equina têm sido observadas no México, América Central e América do Sul, inclusive no Brasil.
O primeiro surto epizoótico de raiva bovina no Brasil foi diagnosticado em 1911 por Carini, em material enviado de Santa Catarina ao Instituto Pasteur de São Paulo. A epizootia atingiu ao máximo no período de 1914-1918, quando foi paticurlamente estudada por Haupt e Renaag. Posteriormente, foram assinalados importantes surtos epidêmicos, não somente em outros estados brasileiros, como em diferentes países das Américas. De acordo com informes compendiados pela Organização Pan-Americana da Saúde, entre 1960 e 1966, foram notificados nas Américas cerca de 2.725.000 casos de raiva bovina (1.300.000 no Brasil e 1.000.000 no México), representando um prejuízo econômico estimado em aproximadamente 47.500.000 dólares.
A raiva bovina é transmitida por morcegos hematófagos, que sugam o gado preferivelmente à noite. Este fato, já suspeitado por Carini e por Haupt e Rehaag ao estudarem o surto epizoótico de Santa Catarina, foi definidamente comprovado em 1935 por pesquisas realizadas, independentemente, no Brasil (Torres e Queiroz Lima) e em Trinidad (Pawan). Os morcegos incriminados são da família "Desmodontidae", facilmente distinguíveis das espécies frugívoras, insetívoras, onívoras ou ictiófagas, pelos caracteres seguintes:
ausência de cauda, membrana interfemoral rudimentar, pêlo cinza ou marrom, orelhas largas e curtas, polegares longos e, especialmente, incisivos grandes em forma de alfanje, com bordas extremamente cortantes.Os morcegos hematofágos (espécies "Desmodus rotundus"', "Diphylla ecaudata" e "Diaemus youngi") atuam não só como transmissores, mas também como reservatórios do vírus.
O morcego é também transmissor comprovado da raiva do homem, produzindo geralmente um quadro grave de paralisia ascendente do tipo Landry. Foi assinalada também a transmissão ao homem por morcegos não-hematófagos, que facilmente se infetam nas lutas frequentes que entretêm com morcegos desmodontídeos. Ao que parece, a transmissão humana não se opera somente pela mordedura dos morcegos, mas, até com maior frequência, por intermédio de aerossóis.


ANNE CAROLINE DE SOUZA SANTANA

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